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sexta-feira, 7 de maio de 2010

Escolhas do bebê, da mãe (e médico)



Foto: http://aaimaging.com/2009/04/portraits-and-maternity.html

Ultimamente tenho ouvido muitas histórias de mães que queriam ter seus filhos por parto normal, mas na “hora H” o parto foi cesáreo. Isso aconteceu com a Rê de Salvi, que travou um embate com seu obstetra. O mesmo com a Paula, minha cunhada e a Nathália, uma colega de trabalho.



Hoje eu li uma matéria que comprova – com número contundentes – o aumento das cesáreas no Brasil: são mais de 50% dos nascimentos, enquanto o recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) é 15%.



Certa vez entrevistei um médico, o doutor Marco Antonio Lenci, que enumerou vários motivos para o aumento das cesáreas no país. Um dos mais absurdos para mim foi comodidade para pais e médicos. Escolher a data, a hora, me parece tão contra a natureza. No fim da conversa ele, que é defensor do parto normal, disse que o melhor parto é aquele em que a mãe e o bebê saem bem. E é isso mesmo. Na natureza, as coisas nem sempre acontecem como gostaríamos.  

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Uma dádiva




Da primeira vez que ouvi o coração de Sarah bater tão acelerado, meus olhos se encheram de lágrimas. Meu coração acelerou mais que o dela. E uma mescla de ternura, medo, insegurança e felicidade me invadiu. Ela estava ali, pronta para mudar para sempre a minha vida. Nem precisava olhar para seu rosto, o amor já havia nascido.

Alguns meses depois, no dia 23 de agosto às 6h01, Sarah veio ao mundo. Os bastidores (que contarei amanhã, caso tenhamos a noite maravilhosa de hoje) desapareceram em questão de segundos. Não consegui segura-la assim que saiu do meu ventre. Meu noivo, que assistiu a todo o processo, logo a pegou em seus braços.

Ela estava exausta e já descansava. Ele estava feliz como nunca (vai contar tudo aqui). Eu me emocionava. Depois de me recuperar, levaram minha pequena para os meus braços. Quando vi pela primeira vez aqueles olhos cinzas – ainda sem definição de cor – toda a felicidade do mundo me invadiu.

Sarah me olhava com cumplicidade. Certamente, me reconheceu. Comigo, silenciou e confiou desde o primeiro segundo. Mesmo assim, dei as boas-vindas a ela, me apresentei. Seu pai também conversou com ela. Voz que ela reconhecera também.
Realmente minha vida mudou. E muito. Nossas vidas se transformaram. Foi a primeira vez que os olhos de Sarah se abriram para mim, para o pai e para o mundo. A partir dali, a nossa família estava mais que completa, mais que forte, mais que feliz. Estávamos ali, nós três. E isso bastava.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Assim como Júlio Cesar



Depois de nove meses de preparação chegou a tão esperada hora do parto. Quando eu comentava com os amigos sobre a Rê de Salvi era comum perguntarem se ela ia fazer cesárea. Eu sempre estranhei a pergunta, mas hoje as pessoas já assumiram o parto cesáreo como o meio mais comum – e diga-se de passagem, prático – de os bebês nascerem. Ela queria tentar o parto normal e até conseguiu convencer seu obstetra! Ele deu um ‘deadline’ para a Sarah nascer por sua própria vontade: 27 de agosto. Caso contrário, estaria marcada uma cesárea para o dia 28 pela manhã. A pequena se manifestou no sábado à noite, dia 22. Depois de algumas horas de trabalho de parto, a opção foi pela cesárea, mas essa história quem vai contar é ela, logo que sair da maternidade conectar-se novamente.


No Brasil o índice de cesarianas na rede privada de saúde ultrapassa 80% dos partos, embora a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) seja de 15% do total de nascimentos. Isso porque trata-se de um procedimento cirúrgico com indicações específicas, enquanto o parto normal é o desfecho natural da gravidez e deveria ser a principal meio de os bebês nascerem.


O parto feito por meio de procedimento cirúrgico foi realizado pela primeira vez para trazer ao mundo Júlio César, o imperador romano. O parto passava por complicações e, naquela época, era comum que optassem por salvar a vida do bebê. A surpresa foi que depois de fazer a incisão na barriga e retirar o pequeno do ventre, a mãe sobreviveu. Daí o nome, cesariana ou parto cesáreo.


Segundo a Sociedade Brasileira da História da Medicina, há controvérsias sobre a primeira cesariana realizada no país. Há registros sobre um parto cesáreo com sucesso feito pelo dr. José Corrêa Picanço, no Recife em 1817 ou 1823. Outro registro faz referência com Visconde de Santa Isabel, Luiz da Cunha Feijó, o então diretor da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e médico da Casa Imperial, considerado o primeiro praticante oficial de cesariana no país por volta de 1855.