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quinta-feira, 1 de julho de 2010

A força da vida



Depois de um exaustivo dia de trabalho, aguardava na famigerada fila a minha vez de entrar no ônibus. Logo em frente estava congestionado – de pessoas, não carros. Policiais, motoristas, cobradores. Pensei que fosse tentativa de assalto ou algo do tipo, pois havia duas viaturas, fechando a passagem.

A primeira reação é se irritar. Afinal, todos estavam cansados e querendo voltar para casa. Os olhares curiosos cercavam o ônibus parado em frente ao que eu estava. O cobrador entrou abismado dando a notícia: “A mulher tá tendo nenê lá dentro”. Aí o alvoroço foi geral. Era gente querendo ver, dar palpite, ligar para o Resgate. Meu instinto de repórter me instigou, por uns segundos, a ir até lá e conseguir mais informações: quem era aquela mulher? Ela estava sozinha? Já estava com nove meses? Passou por alguma situação que poderia antecipar o trabalho de parto? Onde planejava ter o bebê? Era seu primeiro filho?

Então me coloquei no lugar dela. Imagine só você estar em trabalho de parto num local nada apropriado e em vez de aparecer um médico, uma parteira ou um curandeiro vem uma jornalista? Ah, desencanei. Fiz uma prece para que tudo corresse bem e que a criança viesse ao mundo com saúde e abrisse os olhos de seus pais para o mundo.

O ônibus em que eu estava saiu. Consegui ver de relance a mulher lá dentro cercada de curiosos. Segundos depois as viaturas ligaram suas sirenes e saíram em disparada. Deviam estar seguindo para o hospital mais próximo. Não soube nada sobre o bebê e sua mãe. Mas tive uma certeza: a da força da vida, que vem e vai quando a gente menos espera. O que incomoda e faz refletir é que não temos nenhum controle sobre isso. Simplesmente acontece.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Como sobreviver ao primeiro mês de um bebê




Sarah, de olhos abertos para o mundo

Ontem Sarah completou um mês de vida. Vi um comercial na televisão que descreve um pouco do que ser mãe e pai significa. Nele diz que ser avô e avó é muito melhor porque, enquanto os pais dizem “não”, os avós acompanham os pequenos em todas as maluquices. É claro que eu não tive que dizer “não” ainda, mas tenho de dar um jeito na cólica de gente grande que ela sente, chorar junto com ela, passar horas a fio acordada e esquecer de tirar fotos.

Ser mãe é maravilhoso, mas é tanta novidade que não dá para aproveitar cada segundo como a gente gostaria. O sono atrapalha, o cansaço às vezes esgota. Mas não posso reclamar, sou uma pessoa de muita sorte. Em casa, tenho quem me ajude nesses primeiros passos como mãe, quem me oriente e respeite o que eu decido. O Gil também me ajuda em tudo.

Como não funciono tão bem sem dormir direito, preciso dele para me guiar quase sempre. Cada dia é uma incógnita. Como diz minha avó, um dia a gente acha que o problema é o coco mole e verde, noutro a questão é que está duro.Daí, a gente enxerga algum problema no fato de a criança ficar acordada demais, ou então porque dormiu praticamente o dia todo. Qualquer dia o pediatra vai me abandonar de tanto que ligo para ele… rs

As cólicas de Sarah têm nos deixado loucos. É tanta dor que dá um baita dó. E como não sabemos o que causa essas dores, estamos tentando fazer o que dá. Já trocamos o leite por três vezes e dec remédio outras três. Afora esses probleminhas de percurso, a cada dia me surpreendo com o desenvolvimento. Além de gordinha, ela já tenta pegar a mamadeira, emite alguns sons e dá sorrisos sem estar dormindo. E como toda mãe coruja eu digo: São lindos!

Este primeiro mês é mais uma prova de que não temos controle de tudo na vida. Porque perdi as contas das vezes que implorei para sentir dores ou chorar no lugar da minha pequena. Até o friozinho que ela sente depois do banho parece injusto. O cuidado que temos que tomar é para não atrapalhar o desenvolvimento dela, porque superproteção não é boa.

Todos comemoramos o aniversário dela, com direito a presente e tudo o mais. Mal sabe ela que o maior presente quem ganhou fui eu. Descobrir a impotência e, ao mesmo tempo, a importância de estar apenas segurando sua mão foi aminha maior lição dos últimos tempos. Isso sim é amor incondicional.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Crônica das vidas anunciadas

Imagem: daylightediet.com_blog



Uma amiga disse que Sarah é tão virginiana que praticamente fez uma lista da data propícia para chegar ao mundo. Decidiu nascer exatamente no fim de semana em que meu noivo estaria em casa e eu não estaria trabalhando – afinal meu expediente é de segunda à sexta. Escolheu também a madrugada, sendo assim, o trânsito não atrapalharia sua chegada. E eu agradeço. Porque me perdoem os leoninos, mas não sou lá muito de massagear jubas. De certo modo, o mistério ficou no ar até o último minuto. O trabalho de parto teve início no dia 22, último dia para o signo de leão.


O bom de tanta organização por parte da minha filha é que essa palavra passou a fazer parte do meu vocabulário de forma mais contundente. O sábado em que comecei a sentir pequenas pontadas era para ser como qualquer outro. Era. Como pessoa precavida, segui “a rigor” a alimentação balanceada que o fim da gestação pede. No almoço, a caprichada feijoada. No jantar, um belo lanche do Mc Donald’s. Também andei para cima e para baixo para comprar uma cesta de vime, por pura vontade de colocar as fraldas num suporte como o que vi em uma revista.


Quando voltava da lanchonete, senti uma cólica de leve. Comentei com o Gil, mas logo descartei a possibilidade de ser o início do trabalho de parto. Pura ingenuidade. Na minha cabeça, ela só nasceria no fim da semana. Mal sabia eu que ela era determinada. Assistimos a um filme e as dores começaram a vir com mais frequência. O Gil começou a contar os intervalos entre uma pontada e outra. Eram de cinco minutos. Entrei debaixo do chuveiro. A água quente deu uma ajuda – de poucos segundos.


Ligamos para o obstetra e partimos rumo à maternidade. Um passeio em família. Eram duas horas da madrugada. Lotamos o carro. Minha mãe, meu pai, minha irmã, o Gil e eu, é claro. Chegando lá, eu continuei com a minha calma. Desenvolvi o lado zen com a maternidade. Mas parece que às vezes preciso de um chacoalhão. O segurança logo perguntou se não queria uma cadeira de rodas. E eu, acreditando que voltaria para casa por ser só alarme falso, disse que não. O Gil pediu para ele trazer.


Só acreditei que era o momento de a Sarah chegar, quando a obstetriz disse que estava com quatro centímetros de dilatação. Mesmo assim continuei calma. Fui levada de maca à sala de parto normal. Na minha cabeça, seria coisa rápida. Afinal, a dor nem era tanta e já estava com dilatação. Santa ingenuidade! Fiquei até às 5h30 no mesmo estado. Nada acontecia. E num momento propício, lembrei do rico cardápio do jantar e do almoço.


O Gil acompanhou todo o processo. Todo mesmo. Passei mal, joguei a comida fora… O pior foi quem pensou na decoração da sala de parto. Isso porque um relógio enorme que marca até os segundos ficava bem na minha frente, me lembrando de cada contração. É como se nós fizéssemos contagem regressiva. As dores que sentia duravam milésimos, mas pareciam horas. Minha coragem para fazer parto normal desapareceu. Pedia para o Gil chamar alguém para aplicar a anestesia.


Depois de tudo isso, o parto normal foi descartado, pois não havia dilatação suficiente. No centro cirúrgico, a anestesista pediu para eu ter calma que a anestesia não doeria muito. Aquela picadinha já não era nada. Disse a ela que poderia aplicar quantas vezes quisesse. Não parava de tremer tamanha era a descarga de adrenalina no meu corpo. Depois da injeção a dor passou. Aí ouvi o som da Sarah chorando me emocionei. Depois o Gil a trouxe bem perto de mim. Ela já descansava. Também estava exausta. Ia para cá e para lá na barriga. Já era a hora dela.


Terminaram a cirurgia, fui a uma sala de recuperação. Cheguei no quarto, Gil não conseguia descansar. Queria ficar perto da pequena. E eu, carregá-la. Nessas quase nove horas de trabalho de parto, nos preparávamos para o que viria. Era como se o processo anunciasse novas vidas. As vidas verdadeiras, que se iniciaram ali.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Uma dádiva




Da primeira vez que ouvi o coração de Sarah bater tão acelerado, meus olhos se encheram de lágrimas. Meu coração acelerou mais que o dela. E uma mescla de ternura, medo, insegurança e felicidade me invadiu. Ela estava ali, pronta para mudar para sempre a minha vida. Nem precisava olhar para seu rosto, o amor já havia nascido.

Alguns meses depois, no dia 23 de agosto às 6h01, Sarah veio ao mundo. Os bastidores (que contarei amanhã, caso tenhamos a noite maravilhosa de hoje) desapareceram em questão de segundos. Não consegui segura-la assim que saiu do meu ventre. Meu noivo, que assistiu a todo o processo, logo a pegou em seus braços.

Ela estava exausta e já descansava. Ele estava feliz como nunca (vai contar tudo aqui). Eu me emocionava. Depois de me recuperar, levaram minha pequena para os meus braços. Quando vi pela primeira vez aqueles olhos cinzas – ainda sem definição de cor – toda a felicidade do mundo me invadiu.

Sarah me olhava com cumplicidade. Certamente, me reconheceu. Comigo, silenciou e confiou desde o primeiro segundo. Mesmo assim, dei as boas-vindas a ela, me apresentei. Seu pai também conversou com ela. Voz que ela reconhecera também.
Realmente minha vida mudou. E muito. Nossas vidas se transformaram. Foi a primeira vez que os olhos de Sarah se abriram para mim, para o pai e para o mundo. A partir dali, a nossa família estava mais que completa, mais que forte, mais que feliz. Estávamos ali, nós três. E isso bastava.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Assim como Júlio Cesar



Depois de nove meses de preparação chegou a tão esperada hora do parto. Quando eu comentava com os amigos sobre a Rê de Salvi era comum perguntarem se ela ia fazer cesárea. Eu sempre estranhei a pergunta, mas hoje as pessoas já assumiram o parto cesáreo como o meio mais comum – e diga-se de passagem, prático – de os bebês nascerem. Ela queria tentar o parto normal e até conseguiu convencer seu obstetra! Ele deu um ‘deadline’ para a Sarah nascer por sua própria vontade: 27 de agosto. Caso contrário, estaria marcada uma cesárea para o dia 28 pela manhã. A pequena se manifestou no sábado à noite, dia 22. Depois de algumas horas de trabalho de parto, a opção foi pela cesárea, mas essa história quem vai contar é ela, logo que sair da maternidade conectar-se novamente.


No Brasil o índice de cesarianas na rede privada de saúde ultrapassa 80% dos partos, embora a recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) seja de 15% do total de nascimentos. Isso porque trata-se de um procedimento cirúrgico com indicações específicas, enquanto o parto normal é o desfecho natural da gravidez e deveria ser a principal meio de os bebês nascerem.


O parto feito por meio de procedimento cirúrgico foi realizado pela primeira vez para trazer ao mundo Júlio César, o imperador romano. O parto passava por complicações e, naquela época, era comum que optassem por salvar a vida do bebê. A surpresa foi que depois de fazer a incisão na barriga e retirar o pequeno do ventre, a mãe sobreviveu. Daí o nome, cesariana ou parto cesáreo.


Segundo a Sociedade Brasileira da História da Medicina, há controvérsias sobre a primeira cesariana realizada no país. Há registros sobre um parto cesáreo com sucesso feito pelo dr. José Corrêa Picanço, no Recife em 1817 ou 1823. Outro registro faz referência com Visconde de Santa Isabel, Luiz da Cunha Feijó, o então diretor da Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro e médico da Casa Imperial, considerado o primeiro praticante oficial de cesariana no país por volta de 1855.


domingo, 23 de agosto de 2009

Boas-vindas para a Sarah

Sabe aquelas músicas gregas? Então, era uma música dessa a trilha sonora do meu sonho neste domingo. Eu estava sonhando com uma praça bem bonita onde tocava esse tipo de música, quando meu celular tocou. Era a Rê de Salvi. Ela me perguntou se tinha me acordado e eu, meio sonolenta, respondi que estava sonhando que estava na Grécia! Ela me disse: “Então volte para a realidade porque a Sarah nasceu”. Dei um pulo da cama. Na hora meu sono passou, meu coração disparou e fiquei super ansiosa para conhecer essa pequena, que veio para encher a vida de muita gente de alegria. Fiz aquelas perguntas clássicas sobre dor, como foi o parto e etc, as grandes curiosidades de quem nunca pariu. Ela estava super serena, tranquila. Contou-me que a Sarah chegou muito bem de saúde, com 2.910 kg e 48 cm às 6h20 do dia 23 de agosto – portanto, uma virginiana – que era cabeludinha e a cara do pai. Eu queria mesmo era conhecê-la. Fui para a maternidade à tarde. Encontrei o Gilson, o mais novo papai, na porta do prédio. Ele estava tomando ar para descarregar o estresse das horas de trabalho de parto, foram quase seis. No quarto estava toda a família e a pequena, dormindo como um anjo. Essas são algumas das primeiras fotos da Sarah que, daqui para frente, será personagem de muitos assuntos tratados nesse canto.
Aliás, por falar em canto, assim como a Sarah, o Olhos Para o Mundo, vai ganhar uma casa nova. Em breve teremos novidades!

Sarah, seja bem-vinda a este mundo doido em que vivemos!


sono bom nas primeiras horas de vida



quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Reta final

Imagem: http://www.tribunadeituverava.com.br/fotos_noticias/3135.jpg


No caminho para o consultório, já senti algumas dores nos músculos das pernas, quadris, enfim… É um sinal de que falta pouco para a Sarah estar em meus braços. Ela está tão protegida de tudo, se alimenta, dorme, brinca e fica comigo o tempo todo. Mas já se mostra ansiosa para descobrir o mundo. Enquanto saíamos do trabalho e fazíamos o nosso percurso, conversei com ela. Disse que respeitaria seu momento de nascer, não seria algo imposto.

Quando chegamos no consultório, ouvimos o coração acelerado e vimos sua agitação na barriga. E decidimos que se Sarah não vier até dia 27, no dia 28 daremos uma ajudinha a ela. O parto normal é bem melhor, mas não posso fechar os olhos para tudo. Ainda mais numa situação tão delicada quanto o nascimento saudável de um filho. O jeito agora é torcer para que seja feito o melhor para a nossa família.

O fato de marcarmos para o dia 28 ainda dá tempo de ela nascer por meio do parto normal. Afinal, como dizem por aí, a lua muda no dia 27 e, quando isso acontece, a maternidade de fato fica cheia! Embora nunca tenha acreditado muito em lua, uma amiga que estuda biologia disse que há explicações científicas para isso. E minha mãe, por sua vez, contou que no dia do meu nascimento a maternidade estava em polvorosa, porque a lua mudara. A Rê Rossi me contou em entrevista que fez hoje com uma enfermeira obstétrica que realmente a maternidade lota nessas fases. A enfermeira pediu para ela me dar um recado: “O melhor parto é aquele em que a mãe e o bebê saem bem, felizes e satisfeitos”. Então, que venha a Sarah!

domingo, 9 de agosto de 2009

Menos de 30 dias...

Rê Rossi says…

Faltam quantos dias?

Rê de Salvi says…

30! Ela está chegando… até o dia 28 já estará na área…

Rê Rossi says…


Nossa, mas já está tudo pronto? O dr. Bruno te orientou? Você deve ir para a maternidade se sentir alguma coisa? E o Gilson, vai estar por perto???


Rê de Salvi says…


Calma!!! Está ansiosa demais… rs… Tá tudo pronto. A malinha da maternidade, inclusive. O dr. Bruno me proibiu de ir para a maternidade sem falar com ele… hehehe… nada de ansiedade… tenho que ligar se sentir qualquer coisa e ele me orienta…


Rê Rossi says…


Mas e se sentir alguma dor de madrugada? O Gilson não vai estar por perto… E se ele não chegar a tempo de ver a filha nascer?


Rê de Salvi says…


Relaxa!!!!!!!! Nem parece que vc faz ioga… o trabalho de parto demora… vai dar tempo de ele chegar sim! E vc também…


Rê Rossi says…


É que eu to ansiosa… vai ser a primeira vez que vou ver um bebê da maternidade… hehehe… e mais: não é qquer bebê… é a Sarah!!!!!


Essa foi uma conversa que tivemos (nós, as duas Renatas), no último dia 28. Como o papo era o nascimento da Sarah, filha da Rê de Salvi – a minha primeira amiga a ser mãe!!!! – aproveitamos o tema e parimos, no sentido tecnológico, é claro – essa ideia que já nos acompanhava há um tempinho. Nós queríamos fazer um blog para extravasar ideias, sensações, impressões que muitas vezes ficam de fora do nosso trabalho que é escrever… somos jornalistas. Ela da propaganda, eu de saúde. Foi aí que nasceu esse canto… afinal, quem tem mais novidade que mulher grávida???


Agora os olhos dela estão voltados para o mundo, de outra forma, com novas perspectivas, dúvidas, alegrias, descobertas… É nesse espaço que queremos compartilhar o que rola no fascinante mundo da maternidade. Ela é a mãe e eu a tia postiça… hehehe…

Então, preparem-se! A Sarah está a caminho…