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terça-feira, 6 de julho de 2010

Longe dos riscos


Imagem: http://www.acessa.com/casa/arquivo/truques/2008/12/09-crianca/09-crianca.jpg

Quando Sarah nasceu, ganhei uma borboleta – esquisitíssima, eu sei – da minha mãe. Ao plugá-la na tomada, ela acende e torna o ambiente mais claro. Não entendi, a princípio, sua efetividade. Entretanto, como não tenho abajur no quarto, foi um dos bens mais preciosos que ganhei nos últimos tempos. Toda vez que Sarah chora, emite um som desconhecido ou decide engatinhar no meio da noite, eu ligo a borboleta. Ou então deixo acesa o tempo todo.

Certo dia, estávamos cochilando deitadas num colchão. Tomei um baita susto! Ela simplesmente acordou e foi desvendar os mistérios da borboleta. Eu acordei assustada com o barulho. Quando vejo, enquanto descobria as cores, os detalhes da borboleta, sonhava em colocar o dedo na tomada. Esse é um dos perigos encontrados em casa quando temos crianças. Na hora, lembrei de uma reportagem que fiz para uma publicação do Hospital Samaritano.

Lá trouxemos dicas de como manter os pequenos em segurança. Depois de certa idade, os protetores de tomada, borrachas para as quinas, retiradas dos tapetes de centro são essenciais. Confira neste pdf na página 10 mais dicas de como adaptar a casa a essa época de descobertas e experimentações. Outras informações,você também encontra no site da ONG Criança Segura.


quinta-feira, 1 de julho de 2010

A força da vida



Depois de um exaustivo dia de trabalho, aguardava na famigerada fila a minha vez de entrar no ônibus. Logo em frente estava congestionado – de pessoas, não carros. Policiais, motoristas, cobradores. Pensei que fosse tentativa de assalto ou algo do tipo, pois havia duas viaturas, fechando a passagem.

A primeira reação é se irritar. Afinal, todos estavam cansados e querendo voltar para casa. Os olhares curiosos cercavam o ônibus parado em frente ao que eu estava. O cobrador entrou abismado dando a notícia: “A mulher tá tendo nenê lá dentro”. Aí o alvoroço foi geral. Era gente querendo ver, dar palpite, ligar para o Resgate. Meu instinto de repórter me instigou, por uns segundos, a ir até lá e conseguir mais informações: quem era aquela mulher? Ela estava sozinha? Já estava com nove meses? Passou por alguma situação que poderia antecipar o trabalho de parto? Onde planejava ter o bebê? Era seu primeiro filho?

Então me coloquei no lugar dela. Imagine só você estar em trabalho de parto num local nada apropriado e em vez de aparecer um médico, uma parteira ou um curandeiro vem uma jornalista? Ah, desencanei. Fiz uma prece para que tudo corresse bem e que a criança viesse ao mundo com saúde e abrisse os olhos de seus pais para o mundo.

O ônibus em que eu estava saiu. Consegui ver de relance a mulher lá dentro cercada de curiosos. Segundos depois as viaturas ligaram suas sirenes e saíram em disparada. Deviam estar seguindo para o hospital mais próximo. Não soube nada sobre o bebê e sua mãe. Mas tive uma certeza: a da força da vida, que vem e vai quando a gente menos espera. O que incomoda e faz refletir é que não temos nenhum controle sobre isso. Simplesmente acontece.

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Metamorfose constante

Imagem: https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEinTSbToGn8TSjuluUjPcn19fVZaJbVOWQZ_4YOKMZ9np-_s0iZSHl7c-PyqITmYAjXWUPvxaWiUIa20MwxT-CwiQfRhMycHAVnNpQ0pmZZZIVUmqXkU3rfD7aPBXzCkeAjxQepi4R0rjJ3/s400/borboleta+na+m%C3%A3o.png

Minha manhã se encheu da alegria. Sarah começou a engatinhar. A seu modo, se arrastou de modo que chegou até onde estava. Reclamou, resmungou, mas estava ali. Bati palmas, dei os parabéns. E ela se empolgou. Ela está com nove meses. Não comprei andador(só para saber, o andador não é recomendado porque faz com que as crianças aprendam a andar errado, inibe boas fases de desenvolvimento e é perigoso porque pode virar e a criança se machucar.), e esperei o momento dela. Não cobrei, não comparei, nem fiquei me perguntando se andaria.

Quando os especialistas dizem que cada criança tem seu ritmo, é verdade. As mães, avós e familiares têm a mania feia de lançar competições. Eles comparam as crianças o tempo todo, apontando quem é mais inteligente e esperto se anda rápido, fala rápido ou bate palmas. Ou mais lento, quando demorou mais para fazer isso que o irmão, a prima ou a vizinha. Isso não é de hoje. Minha avó costuma contar que a vizinha dela dizia que o filho era mais esperto porque já andava, enquanto meu tio ficava parado. Minha avó, que não tinha tanta instrução quanto hoje, ficava preocupada, achando que meu tio nunca andaria. O que a vizinha dela ganhou com isso? Não sei.

Além de ser deprimente ver essas cenas, imagino que seja prejudicial para as crianças. Porque se ela é julgada inteligente, vai acreditar que precisa estar sempre à frente dos outros, se cobrar por isso. E se for considerada lenta, sua auto-estima vai desabar e ela sempre será lembrada como a “preguiçosa” ou que “deu mais trabalho” para os pais. Basta se atentar que em um dia vai ver isso mais de uma vez. Quando começam os assuntos sobre filhos, fico cansada ao perceber que vão dar em competição. Logo, invento uma desculpa e saio de perto.


Voltando às descoberta da minha pequena, são tantas todos os dias... Ela já bate palmas, canta do jeito dela, manda beijos (com uma força impressionante), aponta com qual brinquedo quer se divertir, dá os braços para ficar no nosso colo, reclama (e como!), olha para mim para saber se pode ou não fazer algo, reconhece a família e os amigos, abraça seu gato de pelúcia... É incrível perceber que enquanto tudo isso acontece, em vez de aproveitar, os pais perdem seu tempo contando vantagem com que está ao lado, em vez de dividir aprendizados e desabafos.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Uma manhã de descobertas





Como boa paulistana que sou, decidi fazer o teste do novo trecho do metrô. Em tese, essa nova linha facilitará minha chegada ao trabalho. A promessa era fazer o trecho em menos de quatro minutos. De ônibus levo cinco vezes mais. Todos que estavam indo para a estação Paulista pareciam cronometrar o tempo. Comigo não podia ser diferente. Marquei no relógio a hora que entrei na estação, o tempo que levei para chegar até a plataforma (são muitas escadas para descer. Se não me engano, seis lances) e o tempo do trajeto.
A modernidade paira no ar. Portas antissuicídio, trem sem condutor, catracas com sensor de presença e, é claro, o que mais interessa aos paulistanos: economia de tempo. E apesar de tudo isso, o que mais me chamou a atenção foram dois largos sorrisos cruzando o vagão em que eu estava. Eram um avô e seu neto. Ambos descobrindo o novo, cada um a seu modo e em sua velocidade. O menino estava empolgadíssimo e dizia: “Vem vô! Olha só, não tem mais parede entre os vagões. Vamos andar por todo o trem”. O avô, que tinha certa dificuldade de se locomover, também explorava essa nova experiência. A expressão de fascínio era a mesmo nos dois rostos. E lá se foram eles prestando atenção em cada detalhe, até sumirem por entre os passageiros. Segundos depois chegamos ao destino final.
Eu esqueci de finalizar o cronômetro e cheguei a duas conclusões: 1. Todo mundo tem uma criança dentro de si, sempre disposta a explorar, conhecer, questionar, descobrir. 2. O tempo – na verdade a falta dele – nos faz sufocar essa criança e nos preocupar muito mais com os segundos a economizar do que com o que realmente importa. Cheguei atrasada no trabalho por conta do teste, mas feliz da vida!   

terça-feira, 25 de maio de 2010

A descoberta dos bichos


 Fotos: arquivo pessoal
 No domingo fomos ao zoológico. Foi a primeira vez do meu sobrinho Caio e de sua mãe, Paula. No caminho fizemos uma chamada oral básica perguntando que animais veríamos por lá. Ele, que está na fase “papagaio” se esforçou para repetir todos os nomes. Só faltou dromedário (Tá bom, pegamos pesado...rs). Depois de um treino para simular o rugido do leão, estávamos prontos para ver ao vivo tudo que se vê nos livros e na TV. O encantamento tomou conta tanto da mãe quanto do filho, já na primeira parada - a ilha dos macacos.
Enquanto os animais faziam suas micagens, Caio repetia: ma-ca-co, com um sorriso estampado no rosto. A cada parada uma nova surpresa, até que chegamos à casa dos animais mais aguardados: as girafas! Ele ficou encantado com as pintinhas e o tamanho, descrito por ele como “enoooorme”, acompanhado de um gesto levantando as mãos para mostrar o quanto elas eram grandes mesmo.
O leão, danadinho, estava dormindo. Assim como o hipopótamo. O rugido, quem deu foi o tigre siberiano, que parecia irritado com os acenos dos visitantes. Vimos como é a casa das formigas e a barulheira que as araras fazem – para mim, as preferidas. A arara azul estava tão imponente quanto da última vez que a visitei (há mais de 15 anos!). A última descoberta do Caio, antes de cair no soninho dos anjos, foi o almoço dos camelos: eles comem ma-to... Já em casa, ele narrou ao tio Flávio, que estava no Rio e não chegou a tempo de pegar o passeio, todos os bichos que viu lá.